(Carlos José Pratas Simão,11/9/1959,Trindade-Beja)
Guarda-redes
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74/75-Despertar Beja--- - juv. 75/76-Despertar Beja--- -juv. 76/77-Desportivo Beja-- -jun. 77/78-Desportivo Beja-- -jun. 78/79-Desportivo Beja-- -III 79/80-Sporting Cuba III 80/81-F.C.Serpa-------- -Dist. 81/82-Desportivo Beja-- -Dist. 82/83-Ginásio Alcobaça- -I 83/84-Nazarenos------- - -II 84/85-Fafe------------ - -II 85/86-Santa Vitória Beja Dist.
86/87-Sp.Ferreirense- - -Dist. 87/88-Desportivo Beja--- Dist. 88/89-União Sobralense-- Dist.
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Antes de se tornar no treinador de valor
reconhecido no Baixo-Alentejo,onde já foi
Campeão Distrital por duas vezes,Carlos
Simão foi um guarda-redes de carreira não
muito longa mas que o levou a representar
clubes de norte a sul do país.
Começando nos juvenis do Despertar de
Beja,um clube com tradição nas camadas
jovens.
Carlos Simão jogou depois no Serpa e no Cuba
antes de voltar ao Desportivo em 1981/1982.
No fim da época,saiu do Desportivo de Beja,
clube que na altura se encontrava no
Distrital,rumo ao Ginásio de Alcobaça,que
tinha sido promovido á 1ª Divisão Nacional.
Ai,teve a companhia do seu irmão mais velho,
José Romão,mas não teria muitas oportunidades
de jogar visto que tinha á sua frente dois
guardiões,Domingos e Jorge,com mais experiência
de escalões superiores.
Carlos Simão foi mais utilizado nos Nazarenos
e no Fafe mas preferiu voltar ao Alentejo
para alinhar no modesto Santa Vitória de
Beja.
Representou ainda o Ferreirense,onde foi suplente
do "histórico" Manuel Maria,voltou ao Desportivo
e veio a terminar a carreira de jogador no
Sobralense.
Como técnico,Carlos Simão já passou pelo Santa
Vitória (ainda no ativo como jogador)Ervidel,
Sporting de Cuba,Sporting Ferreirense,Desportivo
de Beja,Castrense,Serpa,Aldenovense,Ourique,Neves,
Cabeça Gorda e Aljustrelense.
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Carlos Simão,o 2º da direita,na fila do meio,no Desportivo
de Beja em 1978/1979 |
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Carlos Simão,o 5º em cima,da esquerda,no Alcobaça
em 1982/1983 na 1ª Divisão na companhia do seu irmão
José Romão,o 1º em cima,da esquerda
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| Carlos Simão,o 2º em cima,da esquerda,no Nazarenos |
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| Carlos Simão em acção no Sporting de Cuba |
O campeão sem modelos
O homem que acaba de somar o campeonato e a Taça do Distrito de Beja ao currículo não alinha em secretismos para justificar o seu sucesso. Para Carlos Simão, “mais do que a táctica, a técnica ou o talento, o factor mais importante do futebol é a inteligência”. E no ambiente das tácticas e das motivações, destacam-se três virtudes essenciais: “magia, criatividade e imaginação”.
Guiado por esta filosofia, Simão é hoje um dos mais cotados técnicos da região e já soma dois títulos distritais: um no FC Serpa e outro no Castrense. A isso se juntam taças e outras distinções, numa carreira nem sempre fácil, que já o levou aos principais emblemas do Baixo Alentejo.
Tudo começou em 1987 no Santa Vitória, pequeno clube do concelho de Beja que conseguiu impulsionar para o “Distritalão”. Ervidel, Cuba, Ferreira, Aljustrel, Serpa e Castro Verde já acolheram o seu trabalho, mas foi em Beja que teve a grande oportunidade de dar o salto. Depois de nas jornadas iniciais ajudar José Torres, na II Liga de 96/97, acabou por assumir o comando da equipa e deu provas de competência. Mas as incompatibilidades com o presidente, José António Chalaça, não permitiram grande sucesso. “Os jogadores protestaram a minha saída mas não havia relação entre mim e o presidente”, recorda.
Apesar da polémica, Penafiel e Famalicão piscaram-lhe o olho para uma carreira nacional, mas ficar perto da filha num momento complicado “soou muito mais alto”.
Hoje, Carlos Simão é um homem tranquilo. A caminho dos 49 anos, recorda os tempos felizes de uma “infância com dificuldades” no Bairro da Apariça, onde vivia com os pais e dois irmãos, António Simão e José Romão. “A maior riqueza foi a educação que tivemos”, garante.
Essa era a época de Eusébio e, nas “peladas” da sua rua, Carlos Simão mostrava alguma tendência para ser guarda-redes. Carvalho, Costa Pereira e José Henriques eram os seus ídolos e, por isso, tentava imitá-los. Hoje, curiosamente, garante não ter para destacar “um modelo de treinador”. E prefere seguir as suas ideias e dedicar-se aos treinos e aos jogos “como se fossem os primeiros” da sua vida.
Com uma filosofia muito própria, Simão defende que o treinador “é sempre um homem só que, além de ser um gestor de recursos humanos, gere sentimentos e emoções”. “É mais do que um psicólogo colectivo, também é um bom pai e um bom irmão”, advoga.
Entre os treinos e os jogos, o técnico campeão distrital tem uma pastelaria e é “um homem de casa” que gosta muito de ler – está neste momento a conhecer A Mancha Humana, de Philip Roth –, de ouvir Diana Ross e a grande música de Beethoven. “Gosto de música clássica, porque me toca no ouvido, faz-me arrepiar e dá-me alguma estabilidade emocional. Não consigo explicar porquê, mas sinto-me bem.”
Esta paixão tão erudita não o impede de lembrar com saudade os bailes da juventude, ao som dos brasileiros Roberto Carlos e Nelson Ned, numa altura em que a política o entusiasmava e, por isso, ajudou a fundar a Juventude Socialista no distrito de Beja. Hoje, afligido com o crescente nível da insegurança, é um português preocupado com “o desaparecimento da classe média” e a tendência que põe “os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”.
Texto retirado do site do "Correio Alentejo"